O artista Daniel Santoro inaugurou Panorama de Rosario no Centro Cultural Contraviento (CCC), uma obra que preparou especialmente para a ocasião e que reflete, pela primeira vez, um trabalho da sua autoria sobre a cidade.
Panorama de Rosario é uma pintura em um módulo contínuo de 18 metros lineares instalado no auditório principal do espaço cultural, que constitui a seção rosarina do trabalho de dois anos atrás do artista, El teatro de la memoria (O teatro da memória), exposto no Museu Nacional de Belas Artes.
A obra apresenta uma sucessão de cenas de crises e colapsos dos humanos e seu mundo e, nesta oportunidade, Rosario é o cenário. “É um tipo de fim dos tempos do futuro”, descreveu Santoro no streaming Núcleo, um dos muitos meios de comunicação que entrevistou o artista.
Trata-se de um panorama que vai representando pegadas em uma paisagem pós-apocalíptica. Nessa viagem que iniciou através da identidade rosarina, Santoro apelou a simbologias da cidade, a referências geográficas como o rio Paraná e o Monumento à Bandeira e também a figuras locais como Che Guevara, Lionel Messi, o personagem Capitán Piluso de Alberto Olmedo, Litto Nebbia, Silvina Garré, Juan Carlos Baglietto, Fito Páez, Lucio Fontana, Antonio Berni, Roberto Fontanarrosa e Juan José Saer, quem nasceu em Serodino mas foi adotado pela nossa cidade. “Os artistas ficam, para sempre”, diz Santoro na sua visita guiada no Contraviento.
Toda uma imensa floresta escura desenhada com carvão que obrigará a quem a observe a transitá-la para chegar a uma nova forma possível de humanidade. De fato, perto do final do percurso, destaca-se o símbolo da árvore da vida, o eixo vertical de uma obra que, no seu trajeto todo, é horizontal.
O pintor o explica: “O vertical tem uma conexão com a transcendência, com a religiosidade. A árvore da vida é uma tentativa de ordenar essa confusão toda. Ingressa-lhe uma energia que viria de Deus e que vai se degradando através de dois colunas, a severidade e a misericórdia. Desse trânsito complexo, é regenerada uma nova forma de presença do humano sobre a Terra”.
Santoro visitou várias vezes a cidade e se deteve na sua fisionomia e história. “Rosario é, para mim, uma aparição autóctone, algo que brotou da terra mesma. É uma mítica cidade criada in illo tempore (em algum tempo remoto) e, como todo território mítico, ela é e foi habitada por grandes e maravilhosos personagens e, ao mesmo tempo, por inescrupulosos seres primitivos. Este desenho tenta dar conta desta condição excepcional da cidade”.
Santoro tem uma necessidade de voltar ao mito com sua obra. “Tem que ter certa capacidade ou adesão emotiva. Um relato, incluir-se em algo maior. Minha ideia é voltar a certa questão mitológica com Rosario”.










![[Daniel Santoro] Panorama de Rosario](https://www.contraviento.com.ar/resources/original/Santoro/11.jpg)

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